Travessia
Milton Nascimento
Composição: Milton Nascimento / Fernando Brant
Quando você foi embora
fez-se noite em meu viver
Forte eu sou mas não tem jeito,
hoje eu tenho que chorar
Minha casa não é minha,
e nem é meu este lugar
Estou só e não resisto,
muito tenho prá falar
Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
Sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar
Vou seguindo pela vida
me esquecendo de você
Eu não quero mais a morte,
tenho muito que viver
Vou querer amar de novo
e se não der não vou sofrer
já não sonho hoje faço
com meus braços meu viver
Esta foto foi tirada em novembro do ano passado também na praça da liberdade em Minas Gerais do lado da placa (com a letra de travessia) em homenagem aos 500 anos de Brasil. 300 anos de Minas Gerais e 30 anos de sucesso de Milton Nascimento. Ela fica escondida no meio da praça, mas é imponente quando se vê.
Achei-a por acaso quando um ano antes passeava pela primeira vez em Minas e achei aquilo lindo, a letra e a estrofe lado a lado em local que lembra muito Minas Gerais.
Aliás, só um pequeno parêntese: meses antes havia comprado uma compilação em vinil dos discos clássicos de Milton Nascimento Minas de 1975 e Geraes (com e) de 1976. E ao comprar em um dia de sexta-feira fiquei andando para cima e para baixo com aquele disco debaixo dos braços pela UnB. Não havia aula naquela tarde (as antológicas aulas do Dante de Projeto 02) e saímos eu, Gabriela, Paulinha e João Gabriel andando gastando o tempo daquela tarde. Quando a Gabi vira e começa a cantar:
"Qualquer maneira de amor vale a pena.
Qualquer maneira de amor valerá!!!"
Inconscentemente eu virei sabendo que estava com o disco que continha aquela música comigo e começamos a conversar sobre isto. Como estávamos caminhando sem direção alguma sentamos próximo ao "ceubinho" e para distrair, pegamos o encarte do disco e começamos a cantar as músicas conhecidas que nele continha, as que não conhecíamos declamávamos. Eram músicas como: O que será, Paula e Bebeto (do refrão citado acima) e Cálix Bento.
Quando menos percebemos já eram quase 18:00 da tarde e já era hora de ir embora, uma tarde agradável.
Pois bem, meses depois, estava em Minas Gerais e na frente não de um encarte, mas de um monumento em homengem ao cantor que representou melhor Minas nos últimos 35 anos (talvez todos os tempos). E ao depararmos com aquela figura em nossa frente ficamos maravilhados com a beleza desta e da música. Uma das pessoas que estava conosco dizia não conhece-la e nós surpresos cantamos a letra para ela que logo se lembrou e se juntou ao coro.
Ainda guardo estas memórias comigo, pois elas trazem coisas que pros outros possam ser insignificante. Afinal era a primeira vez que conhecia uma capital sem ser Brasília, aquela tarde cinza, aquele frio agradável, aquela amizade rápida e intensa, o fim da tarde em um bar de esquina na Savassi, risos e alegria que só poderia ter acontecido ali e naquela hora (pois houve outras oportunidades e isto não se repetiu).
Um ano depois pude retornar e pude então tirar uma fotografia deste marco histórico de Minas em minha vida,
agora registrado em foto e texto
2 comentários:
Rogério, querido! :)
Que bom estar de volta escrevendo e encantando a todos com suas palavras e reflexões, gosto bem muito!
Beijo grande, que Papai do Céu te abençoe sempre! (:
;*;*
Viva o Milton! E viva vc tb Roges!!! Bjocas
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