domingo, 25 de maio de 2008

ANTES DO POR DO SOL

Aquela não seria “mais uma tarde” desde aquela manhã. Ele já sabia disto desde que havia amanhecido. Era seu último dia naquela cidade e ele já previa que algo de especial estava por acontecer. Arrumou-se, colocou o básico que iria precisar para aquela tarde em sua mochila e saiu sem direção. Era como se soubesse que iria encontrar algo ou alguém especial para registrar aqueles momentos.

Na parada de ônibus, esperou pelo ônibus, sem saber que já havia passado alguns que lhe servia. É quando atravessa a rua e senta a seu lado uma garota, que além de muito simpática, era muito bonita e de um sorriso cativante. Ela vira para ele e pergunta se o ônibus para o centro da cidade já havia passado. Foi então que ele percebeu que pelo menos outros três ônibus já havia perdido. E como o centro também era seu destino, ele lhe acompanhou em seu trajeto.

Conversaram muito no caminho para o centro, o básico para se conhecerem, mas o bastante para ver o quanto tinham em comum. Isto os aproximou muito. Ele lhe contou que era de Brasília, estava na cidade há uma semana, mas que já estava de partida na manhã seguinte. Ela lhe disse que morava naquela cidade fazia quatro meses, mas que neste período nunca teve tempo para passear pela cidade, muito menos no centro. A curiosidade é que embora não soubesse nada daquela cidade, o único trajeto que ele conhecia era o caminho para o centro. Então ele passou a lhe servir de guia.

Chegando ao terminal do centro da cidade, decidiram pegar um novo ônibus até o calçadão da avenida beira-mar, onde durante toda sua extensão tem-se a vista privilegiada do mar até se perder no horizonte e assim aproveitariam o caminho para conversar e conhecerem melhor um ao outro. Ambos não conseguiam disfarçar a surpresa e a alegria de se encontrar. Como duas pessoas de lugares tão distantes poderiam ser tão parecidas, tão próximas. Embora se conhecessem a menos de meia hora, era como se fossem amigos de longa data. Conversavam desde coisas banais como gosto musical, até coisas pessoais como a solidão na cidade grande, coisa comum entre os dois.

Em sua volta um cenário paradisíaco, o mar em toda a sua extensão, uma tarde ensolarada, um casal que acabou de se conhecer. Tudo estava perfeito. Ele não parecia acreditar que teria que ir embora dali a algumas horas, ter que deixar para trás a garota que tanto havia lhe feito feliz durante aquela tarde. Seu desejo foi de levá-la junto consigo ou aumentar em mais alguns dias sua estadia na cidade, mas foi como ela disse a ele:

- Esqueça que você vai embora amanhã, esqueça o que vai acontecer e viva o agora! - E assim ele o fez. O tempo passou em um piscar de olhos e eles não sentiram, pois isto já não existia mais para eles.

O sol estava se pondo, a tarde acabando, ela pediu para ele olhar para o horizonte. Era o sol se pondo por trás dos montes. Eles se abraçaram e juntos curtiram aquele momento único. Ele não se conteve e pediu para um casal que também passeavam pelo calçadão tirar uma foto dos dois. Para compensar a diferença de altura, ele se curvou em um abraço sobre ela e então veio o click. Ele pegou a máquina e quando viraram de volta, presenciaram os últimos segundos do sol antes de se pôr...

O passeio pelo calçadão já havia terminado, a tarde já havia se posto, eles resolveram passear pela praça do centro da cidade. Presenciaram uma apresentação de boi-bumbá, foram a uma lanchonete e na volta sentaram no banco da praça onde há uma árvore centenária, muito famosa na cidade, uma figueira.

Ele fez questão de lhe agradecer pela tarde que passaram juntos, ela lhe respondeu que ele era um anjo da guarda que havia vindo para lhe mostrar o quanto alguém podia ser tão especial e a vida podia ser maravilhosa. Lágrimas caíram de ambos os rostos. Ele enxuga suas lágrimas, não resiste e dá-lhe o beijo tão aguardado por toda aquela tarde.

Aquele que era um beijo inesperado transformou-se em um beijo prolongado. O frio começava a apertar e eles não sentiam, seus corpos estavam quentes o bastante para sentir qualquer coisa. Não havia palavras mais que pudessem expressar aquele momento, deixaram então que seus gestos dissessem por eles.

É quando se ouve ao longe, o badalar dos sinos da catedral do centro da cidade anunciando que já eram meia noite e que aquela era a hora de ambos partirem. Não havia mais o que fazer. Antes de partir ele a convidou a visitá-lo em Brasília, que ele estaria pronto a recebê-lo e ser seu guia na capital federal. Ela a convidou para outro passeio como esse da próxima vez que voltasse a cidade, que ela estaria esperando por ele...

Como não conseguiam se desgrudar, combinaram que cada um seguisse um caminho diferente no meio da multidão que se encaminhava para pegar o último ônibus da noite. Mas antes, deram um beijo de despedida e no fim daquele beijo, cada um seguiu seu caminho. Ambos nem ao menos viraram para trás, ela acabou sumindo do mesmo jeito que apareceu, de repente...
Na manhã seguinte ele retornou para Brasília e como recordação a lembrança daquele beijo, daquela garota e como prova daqueles momentos, a fotografia dos dois ao por do sol...

Florianópolis – julho de 2006
(uma música para trilha sonora deste post)

Esta Tarde

Os Paralamas Do Sucesso
Composição: Herbert Vianna
Disco: Vamos Batê Lata -1995

Alguma invenção
Que faça o tempo parar esta tarde
Quando se for o sol
Que a luz desse dia nunca acabe

Esteja sempre perto,
sempre longe dos covardes
O errado e o certo,
pra ter raiva e ter piedade

Arcos de toda cor
vão escrever teu nome
Na paisagem
Te levo pela mão
E o viajar já é mais que a viagem

Florianópolis aí vou eu!!!!!!!!!!!

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